ATENÇÃO! Os Nematoides podem estar Roubando sua Produtividade

ATENÇÃO! Os Nematoides podem estar Roubando sua Produtividade

Nematoides podem estar roubando sua produtividade! Saiba como conviver com esse inimigo invisível.

Nematoides são vermes microscópicos, que se alimentam de tecido vegetal, ou seja, parasitam raízes de plantas e em alguns casos a parte aérea. Nos últimos anos a problemática com os nematoides tem aumentado muito, nas principais culturas de importância econômica. Isso têm acontecido devido ao grande número de espécies e plantas hospedeiras, monocultivo com culturas suscetíveis, entre outras práticas que aumentam o problema.

Foto: Priscila Amaro – Nema no Campo

Em 2015 a Sociedade 5 Brasileira de Nematologia divulgou números sobre as perdas causados por esse grupo, estimou-se perdas de 35 bilhões por ano, sendo que 16 bilhões só na cultura da soja.

Para conviver com o patógeno, isso mesmo? Após o nematoide estar presente na área é praticamente impossível de controlar/erradicar a população, ou seja, zerar a população, o que pode ser feito é conviver com o patógeno, sempre criando um ambiente desfavorável para o aumento das densidades nas áreas.

O segredo para uma boa convivência está nos detalhes, afinal quais são esses detalhes? Os detalhes são relacionados ao uso estratégico das ferramentas disponíveis para o manejo e de forma combinada quando necessário. Pois somente uma ferramenta pode não apresentar resultados satisfatórios, principalmente em áreas onde ocorra população mista ou densidade muito alta. Isso quer dizer que as ferramentas não são eficazes? Pelo contrário, existem ótimas ferramentas para essa convivência, o que ocorre é que os nematoides sobrevivem nas áreas, as culturas são suscetíveis, o ciclo do patógeno é rápido, então a densidade pode aumentar rapidamente, alguns espécies possuem estruturas de sobrevivência temporária e definitiva, por isso é difícil essa convivência, mas não é impossível!

Outro ponto importante que devo ressaltar é que a mistura de espécies nas áreas é muito comum, então esse planejamento para convivência deve ser feito a longo prazo, sempre analisando todos esses pontos e fazer o possível para manter as populações baixas, criando um ambiente desfavorável para os nematoides.

Foto: Priscila Amaro – Nema no Campo

O manejo integrado de nematoides consiste no uso das ferramentas de forma combinada a fim de tornar melhor essa convivência.

O manejo genético consiste no uso de cultivares resistentes ou mas hospedeiras das espécies que estão presentes na área, por isso é importante a diagnose antes que qualquer medida de manejo seja adotada, a reação das espécies para as culturas são diferentes, então para uma espécie de nematoide tal cultivar pode ser boa, mas para outra pode trazer dor de cabeça. Uma cultivar resistente desfavorece a multiplicação do nematoide, então essa densidade tende a diminuir, um detalhe importante é que a resistência não é completa, então mesmo sendo resistente alguns nematoides ainda conseguem se multiplicar normalmente. Em áreas com altas densidades o uso de produtos químicos e biológicos combinado com o uso de cultivar resistente é importante!

Para o manejo químico de nematoides, existem 8 moléculas disponíveis no mercado no momento, distribuídas em diversos produtos, para tratamento de sementes e/ou aplicação no sulco de plantio. Lembrando que o uso dos produtos caracteriza uma proteção inicial para o desenvolvimento da cultura, evitando a penetração os juvenis no início do desenvolvimento da cultura, após o período residual que é de aproximadamente uns 30-40 dias os nematoides conseguem parasitar normalmente.

O tratamento com produtos biológicos tem crêscido muito devido aos benefícios observados no em seu uso, para o manejo de nematoides não é diferente, existem vários produtos disponíveis no mercado, os produtos são a base de fungos e bactérias que agem nos nematoides e alguns tem efeito benéfico para as plantas, o que auxilia na tolerância da planta a presença dos nematoides na área.

Além disso, temos ferramentas de manejo cultural, como: uso de mudas e sementes sadias, manejo de plantas daninhas que são ótimas hospedeiras de diversas espécies de nematoides, o manejo de plantas tigueras, que vale o mesmo princípio das plantas daninhas, elas podem estar ajudando na multiplicação dos nematoides nas áreas. Incorporação de matéria orgânica que pode liberar substâncias que tem efeito nematicida, a matéria orgânica tem essas propriedades. Dentro do manejo cultural uma das ferramentas mais importantes é a rotação de culturas, no manejo de nematoides, principalmente em áreas com altas densidades essa ferramenta é essencial, além dos benefícios que as plantas de rotação trazem pro solo, a quebra do ciclo do nematoide, traz muitos benefícios para a próxima cultura, principalmente em aumento de propriedade.

Uma boa planta para rotação deve desfavorecer a (as) espécie (s) que estão presentes na área.

Claro que temos muitos outros pontos envolvidos numa boa convivência, como a fertilidade do solo, teor de matéria orgânica, culturas instaladas, manejo do sistema, palhada, e muitos outros. É importante reformar que tudo que melhora as características físicas, químicas e biológicas do sistema, ajudam as culturas a suportar melhor a presença dos nematoides na área.

Informação importante!!! A partir da diagnose dos nematoides na área, o planejamento de convivência deve ser iniciado imediatamente, a fim de criar sempre um ambiente desfavorável para o patógeno, usando das ferramentas de manejo e sempre se atentando os detalhes que fazem toda diferença nessa convivência!

REFERÊNCIAS

FERRAZ, L.C.C.B.; BROWN, D.J.F. Nematologia de plantas: fundamentos e importância. Manaus: Norma, 2016. 251p.

AGROFIT. Nematicidas químicos registrados no Brasil. Disponível em: http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons Acesso em 28 set 2020

SBN, Sociedade Brasileira de Nematologia. Agricultores brasileiros têm prejuízos de R$ 35 bilhões com nematoides. Disponível em https://www.portaldoagronegocio.com.br/agricultura/soja/noticias/agricultores-brasileiros-tem-prejuizos-de-r-35-bilhoes-com-nematoides-183080 Acesso em 28 set 2020.

Sobre o autor | Website

Engenheira agrônoma (2016), Mestre em Agricultura Conservacionista pelo Instituto Agronômico do Paraná (2019), na área de Produção e Proteção Vegetal com ênfase em Nematologia. Trabalhou com pesquisa em Nematologia durante o período da graduação e pós-graduação em Londrina/PR. Atualmente é Nematologista na empresa @nemanocampo

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