Relato de um Agrônomo Brasileiro nos Estados Unidos

Olá, caro leitor! Me chamo Renato Zardo, sou Agrônomo formado pela UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e logo que terminei meu mestrado vim morar e trabalhar como Agrônomo no Estados Unidos. A convite do site Agronomia Brasil vou relatar um pouco sobre minha vivência profissional e minhas experiência como agrônomo em território americano.

Bem, logo que comecei minha carreia nos EUA como Engenheiro Agrônomo vindo do Brasil, percebi uma grande diferença entre a agricultura dos dos países. Nos EUA havia uma tecnologia mais avançada, de fácil  acesso para o cultivo, uma diversidade de maquinários com maior robustez, mas algo também ficou bem claro. Como o conhecimento técnico dos profissionais brasileiros era superior, e como o produtor brasileiro era muito mais atencioso ao detalhe.

A princípio foi um espanto ver como o produtor americano se preocupava com a nossa safra no Brasil o tanto quanto nós nos preocupávamos com a deles, e ao mesmo tempo que o selo “brasileiro” me trazia uma credibilidade em certos assuntos. Percebi que o Agro brasileiro, é reconhecido e respeitado por quem era até então, o maior produtor de soja do mundo. Eles estavam certos, pois em alguns anos perderiam esse posto para nós.

Quanto mais trabalhava com outros agrônomos, notava que os profissionais americanos tinham uma maior dificuldade em solucionar problemas, eram muito bons com equipamentos, mas estavam acostumados e ter tudo na mão, e quando surgia um problema travavam. Quando comecei a fazer parte do processo de seleção da empresa que trabalho, ficou ainda mais claro como que a nossa formação no Brasil era tecnicamente superior que aos dos americanos, talvez esse um dos motivos pelo qual o mercado de trabalho aqui valorize mais experiência do que formação acadêmica. Tanto que quando olho meu portfólio de clientes, boa parte dos gestores que estão nos cargos mais altos, são profissionais com vasta experiência, mas não necessariamente formação superior.

Eu tinha dificuldade em entender como que em um país que possui as universidades mais renomadas com professores que tem a sua disposição um grande orçamento para pesquisa e extensão, não formava profissionais mais qualificados que no Brasil, aonde constantemente reclamamos de falta de suporte para as universidades. Para ilustrar, semana passada, dentre os diversos profissionais que estavam disputando uma vaga na nossa área de controle de qualidade na empresa que trabalho,  optamos por contratar uma Agrônoma recém formada no Brasil. O que mais uma vez me deixou cheio de orgulho do Agrobrasileiro.

A resposta a minha pergunta ficou muito clara quando comecei fazer mestrado em Plant Health Management em uma das universidades americanas de destaque. Quando fiz mestrado no Brasil, recebi 24 mil reais em bolsa de pesquisa. No mestrado aqui, custaria 40 mil dólares com os estudos (detalhe, eu não precisei pagar, mas isso irei contar a vocês em outra oportunidade). A estrutura de pesquisa e suporte aqui durante o mestrado era superior a que tive no Brasil, mas no Brasil conseguir tirar um “A” nas matérias demandava um esforço muito maior, quando apresentava trabalhos no Brasil, os professores me colocavam contra a parede para saber o meu domínio do assunto, aqui eles falam “very well done”. Outro detalhe, mais da metade dos meu professores, eram estrangeiros.

No Brasil, dentro da sala de aula, você é tratado como profissional, a cobrança é muito maior, e você sabe que se não for qualificado, vai ficar fora do mercado de trabalho. Aqui os professores me tratavam como aluno, a cobrança na vida acadêmica e menor consequentemente a formação brasileira, prepara melhor para o mercado, com um detalhe adicional, não saímos da Universidade devendo 50 mil dólares ao governo, esse college loans faz com que os alunos tornem prioridade se colar grau com a menor dívida possível, a uma melhor formação.

A ótima formação acadêmica no Brasil me rendeu frutos de maneira muito rápida, promoções em um período relativamente curto e resultados promissores no cultivo que promoveram ao cenário nacional culminando no prêmio de Jovem Cultivador do ano em 2015. Em 2016 ao entrar no mundo das multinacionais notei como grande parte dos seus grupo de agrônomos é de outros países, Índia, China, Brasil, México, Holanda. Reflexo do deficit do número de agrônomos formados no país, em relação a quantidade de vagas disponíveis, estimadas de 2015 a 2020 como publicado pela Purdue Univerisity.

Estes fatores combinados criam um cenário perfeito para o profissional e as empresas brasileiras buscarem novas oportunidades nos EUA, tanto que hoje trabalho com empresas brasileiras que atuam no mercado americano, e o número de agrônomos brasileiros no país só aumenta. Além disso o que atraem muitos profissionais de outros países para os EUA é a estabilidade e os ganhos financeiros, mas essa parte podemos desbravar mais a fundo em um segundo momento.

Não diferentemente de no Brasil, sendo agrônomo aqui nos EUA, vivo na estrada, na mesma semana vou de -20oC em Maine, visitando produtores de tomate, para 30oC em Porto Rico aonde temos diversos projetos com as grandes produtoras de sementes de soja e milho para o mundo. Independente do país, Agro é Agro, é sempre apaixonante, desafiador e essencial. Em momentos incertos como o qual vivemos hoje, em que o mundo inteiro esta em dificuldade, e o Agro ainda está a todo vapor.

Em paralelo ao meu trabalho como Engenheiro Agrônomo atendendo diversos produtores por todos estados da costa leste do Estados Unidos, tenho uma metodologia chamada de “Inglês para Agrônomos”, no qual ensino o Inglês para Agrônomos através de casos da vida real que acontecem diariamente no trabalho do campo.

Inclusive convido você, engenheiro agrônomo(a) a participar da Semana do Inglês para Agrônomos, um evento 100% online e gratuito, que acontecerá no dia 20 de abril de 2020 e fará você chegar ao próximo nível de inglês técnico no agro! Esse é meu compromisso com você.

Para se inscrever, basta acessar o link www.agronomiabrasil.com.br/inglesagro

Sobre o autor | Website

Agrônomo formado pela UEPG, morando e trabalhando como Agrônomo nos EUA. Único estrangeiro a ganhar o título de "Jovem Cultivador do Ano" na terra do Tio Sam. E criador do Método "Inglês para Agrônomos".

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1 Comentário

  1. Fernanda diz:

    Renato é um exemplo e incentivo para valorizarmos nossos cursos de agronomia e a nós profissionais do agro brasileiro!

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